Brasil está mais preparado para enfrentar cenário internacional, diz Pereira.
Segundo ele, porém, medidas adotadas há 3 anos podem ser reeditadas.
Segundo ele, porém, medidas adotadas há 3 anos podem ser reeditadas.
Bernardo Tabak Do G1, no Rio de Janeiro
O diretor do Banco Central (BC), Luiz Pereira da Silva, que hoje acumula as diretorias de Assuntos Internacionas e de Regulação do Sistema Financeiro, afirmou, nesta sexta-feira (19), que o Brasil está preparado para enfrentar a crise internacional e que o BC não irá medir esforços para levar a inflação para o centro da meta central de 4,5%.
"O Brasil, hoje, está mais preparado para enfrentar esse cenário internacional complexo, mesmo que esse se deteriore", ressaltou. "O Banco Central permanece vigilante e não hesitará em tormar medidas, se necessárias, para levar a inflação para o centro da meta", enfatizou.
A declaração do diretor foi feita durante uma palestra no Encontro Nacional de Comércio Exterior 2011 (Enaex 2011), realizado no Cais do Porto, no Rio de Janeiro.
Apesar de afirmar que "o momento atual não é de repetição da intensidade da crise financeira de 2008", e que "existe sinais de desaceleração global, mas não de colapso", Pereira resalvou que medidas adotadas há 3 anos podem ser reeditadas.
"Em uma eventual deterioração do cenário externo, medidas aplicadas em 2008 podem ser reintroduzidas",afirmou.
'Temos que ter sangue frio'
Luiz Pereira destacou que a “solidez” da economia brasileira tem sido “sistematicamente” reafirmada pela boa classificação dada pelas agências de risco.
Luiz Pereira destacou que a “solidez” da economia brasileira tem sido “sistematicamente” reafirmada pela boa classificação dada pelas agências de risco.
“A inflação de julho foi a menor dos últimos 12 meses. Possuímos reservas internacionais em nível superior ao que tínhamos na crise financeira de 2008”, ressaltou. “Nosso sistema cambial flutuante é um importante instrumento para enfrentar turbulências na economia mundial, e está preparado para absorver choques com menor prejuízo para a sociedade”, acrescentou.
Pereira destacou, entretanto, que o BC está está atento a todos os desdobramentos da crise internacional. “Em uma conjuntura que é muito volátil, como verificamos nos últimos dias, temos que ter sangue frio”, afirmou. “Nós agiremos se e quando for necessário”, concluiu.
Apesar de afirmar que é preciso evitar uma excessiva valorização do real, e destacar as medidas já tomadas em função disso, como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Pereira classificou como “natural” a apreciação da nossa moeda. “O fenômeno de apreciação do real também decorre do enfraquecimento do dólar, e não tem sido menos intensa do que a apreciação de moedas de outros países”, observou.
De acordo com Pereira, o real está em nono lugar entre as moedas que mais se apreciaram frente ao dólar. “Ou seja, mesmo as moedas de países com pequenas diferenças na taxa em relação aos juros americanos estão se apreciando significativamente”, disse o diretor. Para ele, a combinação do cenário internacional com “a robustez da nossa economia torna o Brasil um pólo natural de atração de capital”.
Entretanto, Pereira alertou para os cuidados com a entrada de capital especulativo. “Estamos recebendo capitais de todos os tipos: de investimentos de longo prazo, mas também de processos especulativos de curto prazo. E sabemos que o ingresso especulativo de capital pode provocar estragos”, ressaltou. “Quando essas pressões especulativas são excessivas, podem botar em risco nosso sistema financeiro e nossa economia. Por isso, estamos atentos”, finalizou.

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