terça-feira, 16 de agosto de 2011

Crise não vai ter mais impacto no emprego, diz ministro do Trabalho

'O que já tinha que acontecer já aconteceu', diz ministro Carlos Lupi.
Segundo ele, mercado interno é o 'diferencial' da economia brasileira.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, manteve o otimismo e avaliou, nesta terça-feira (16), que a nova fase da crise financeira internacional se caracteriza por um forte movimento especulativo que, em sua visão, não terá "mais impacto" na geração de empregos formais na economia brasileira.

Com isso, segundo ele, a nova "onda" da crise financeira externa não vai ter o mesmo impacto de quando a crise eclodiu, em setembro de 2008, reduzindo o nível do emprego formal no fim de 2008 e início de 2009. O quadro começou a melhorar, naquele momento, quando o governo baixou os compulsórios (liberando recursos para os bancos), reduziu a taxa básica de juros e baixou o IPI para automóveis, para a linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar), para os móveis e para os materiais de construção.

"Acredito que o que já tinha que acontecer, já aconteceu. Não vai ter mais impacto no emprego. O impacto que teve foi muito mais do receio. Não afeta diretamente, mas cria um efeito psicológico. O empresário fica com medo de produzir. Mas o Brasil se diferencia de outros países do mundo. A economia interna continua sendo a grande locomotiva do crescimento nacional", declarou Lupi a jornalistas.

Segundo ele, a situação econômica brasileira representa o oposto do que está ocorrendo nos Estados Unidos. "É o contrário do que está acontecendo nos Estados Unidos. O poder de consumo do americano está diminuindo. É um comportamento completamente diferente da realidade brasileira. E também temos o pré-sal, as Olimpíadas, a Copa do Mundo,  o Minha Casa Minha Vida", afirmou o ministro.

De acordo com o ministro do Trabalho, a nova fase da crise financeira internacional, diferentemente da primeira etapa, registrada em 2008 e 2009, se distingue mais pela especulação. "Têm alguns fatos reais, mas tem muita especulação. Os Estados Unidos em crise, o dólar aumentando, mas as pesoas seguem comprando dívidas do título dos EUA, que é pivô da crise. Na mesma semana, tem um dia que caiu quase 10% a bolsa e no resto da semana cresceu bastante", afirmou.

Para Lupi, a atual etapa crise é mais de "confiabilidade e insegurança" sobre o que está acontecendo nos Estados Unidos. "Tem muita gente querendo ganhar dinheiro fácil. Mas também tem eleição nos Estados Unidos. A principal potência mundial, militar. Vai ter que ter algumas atitudes do Obama [presidente dos EUA] de incentivo ao consumo. O grande progblema americano é perda do poder aquisitivo", declarou ele.

Na avaliação do ministro, o "grande problema" do Brasil, atualmente, é a concorrência com os produtos importados, que chegam baratos ao país por conta do dólar baixo. "O que afeta mais a indústria nacional e diminui a sua empregabilidade é a concorrência internacional. Tem produtos chegando, em muitos casos mais baratos do que os nacionais. Isso começou a se reverter recentemente [com o plano de incentivo à indústria]. Em agosto, já vai ter um respaldo e, em setembro e outubro, já começa a refletir a ação do governo frente aos importados", concluiu Lupi.

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