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PIB desacelera e governo admite crescimento menor este ano
Dados do IBGE divulgados confirmam que a economia brasileira está desacelerando. O Produto Interno Bruto cresceu, mas em ritmo bem menor, devido principalmente ao setor industrial.
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Dados do IBGE divulgados nesta sexta-feira confirmam: a economia brasileira está desacelerando. O Produto Interno Bruto cresceu, mas em ritmo bem menor, devido principalmente ao setor industrial.
O resultado confirmou o que já vinha sendo sentido nos galpões das fábricas. Na indústria as máquinas estão longe de ficar a pleno vapor. Juros altos, real forte, aperto no crédito, greves, mundo em crise e até tsunami no Japão foram vários os motivos responsáveis pelo resultado mais fraco do setor.
“Nós gostaríamos de produzir bastante mais. Eu acredito que hoje estamos a 80% da nossa capacidade, então nós temos uma folga de 20%”, diz o diretor-presidente da Ergomat, Andreas Meister.
O crescimento do setor foi de apenas 0,2% em relação ao primeiro trimestre do ano e de 1,7% em relação ao mesmo período do ano passado, bem menos que os trimestres anteriores.
A economia está mesmo desacelerando. No segundo trimestre do ano a alta foi de 0,8% em relação ao primeiro trimestre, que tinha crescido 1,2%.
“Um resultado esperado, uma desaceleração normal da economia brasileira nesse momento, você está crescendo em cima de números muito fortes no ano passado, a gente tem que lembrar que o PIB de 2010 cresceu 7,5% então é normal que a gente comece a ver números menores agora”, fala o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
Na comparação com outros países emergentes, o PIB brasileiro decepciona. Em relação ao segundo trimestre do ano passado, ele foi de 3,1% e só ganhou da África do Sul. Ficamos bem distantes do avanço da China (9,5%) e da Índia (7,7%).
O resultado só não foi pior por causa do consumo das famílias. Se na fábrica onde Alberto Ribeira trabalha, o sinal amarelo acendeu, ele ainda está com luz verde para o consumo, e foi às compras nos últimos meses. DVD, aquecedor, máquina de lavar roupa, roteador e celular novo para a filha. A família gostou.
“Ficou todos felizes e eu triste porque tem que pagar, tive que pagar”. Ele ainda quer mais. “A gente espera fazer um pé de meia a mais para fazer uma viagem dentro do Brasil”, fala Alberto.
“Dentro da demanda interna, realmente o maior peso é o consumo das famílias, que está crescendo ha 31 trimestres consecutivos. A gente continua com o crescimento do emprego, aliado ao crescimento do salário em termos reais também”, fala o gerente da coordenação de contas nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocquer Palis.
O roteador do Alberto precisa de internet, o celular, de plano de ligação, e na esteira do consumo, o setor de serviços também impediu uma queda maior da economia.
Com o PIB desacelerando, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reduziu a expectativa de crescimento para esse ano. “Acredito que nós estamos caminhando para um PIB mais de 4 do que 4,5”.
Apesar do desaquecimento da economia, o analista Sérgio Vale acha que a inflação ainda vai dar trabalho para o governo.
“Vejo um Banco Central que está muito preocupado com o crescimento e pouco preocupado com inflação. Mas a inflação na meta ele não vai garantir até o final desse governo, então 4,5 de meta de inflação esquece. Nesses próximos três anos e meio não deve acontecer”.
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